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Mujica será o segundo presidente de esquerda da história do Uruguai

Enviado por Arnaldo em 30/11/2009 às 01:08 PM

José "Pepe" Mujica, 74, se transformará no presidente mais velho dos 196 anos de história do Uruguai, após uma vida marcada por seu passado de guerrilheiro --cheia de ataques e tiroteios-- e de preso político, que lhe custou torturas na prisão por mais de uma década.

Graças a sua vitória nas eleições deste domingo, Mujica não só será o segundo presidente de esquerda da história do país, depois do atual governante, Tabaré Vázquez, mas também realizará um sonho pelo qual lutou por toda sua vida, primeiro com as armas e depois com uma infatigável atividade política.

Mujica venceu no segundo turno das eleições o ex-governante conservador Luis Alberto Lacalle, de 68 anos, amparado em seu enorme apoio entre as classes populares, com quem se identifica plenamente.

Segundo escreveu neste domingo o analista político Antonio Cardarello no jornal "El Observador", Mujica será o governante mais veterano da história uruguaia ao superar em dois anos a idade de Jorge Batlle quando este foi eleito presidente em 2000.

No primeiro turno, disputado no dia 25 de outubro, o partido de Mujica, o governista Frente Ampla, revalidou sua maioria parlamentar e somou 48% dos votos.

Com o aval dessa vitória e favorecido pelas pesquisas, o candidato vencedor inclusive superou as desqualificações vinculadas a seu passado como guerrilheiro lançadas por seus rivais políticos durante a campanha, após a descoberta de mais de 700 armas na casa de um homem que morreu em um tiroteio com a Polícia.

No entanto, os uruguaios parecem não ter se sentido intimidados por seu passado, que começou a ser lavrado nos anos 60 ao calor da Revolução Cubana e sob a ameaça de ditaduras militares.

Como militante tupamaro, Mujica foi ferido e aprisionado várias vezes enquanto participava de assaltos, fugas da prisão, tiroteios e roubos.

Nos 13 anos em que esteve preso, a maioria deles durante a ditadura (1973-1985), viveu em condições subumanas e foi torturado enquanto passava de quartel para quartel, onde era exibido como troféu de guerra pelos hierarcas militares.

Com o retorno da democracia, foi libertado e abandonou a militância armada para liderar, junto com sua esposa Lucía Topolansky, agora senadora, a criação do MPP (Movimento de Participação Popular), o maior dos grupos que integram a Frente Ampla.

Em 2004 a Frente Ampla conseguiu a vitória nas eleições gerais e formou o primeiro governo de esquerda na história do país, liderado por Vázquez.

Candidatura e campanha eleitoral

Mujica, que até então já tinha sido eleito primeiro deputado em 1994 e depois senador nas eleições de 1999 e 2004, ocupou na gestão de Vázquez a pasta de Pecuária, Agricultura e Pesca.

Como ministro, sua popularidade se manteve e, em 2008, renunciou para se dedicar exclusivamente a sua candidatura à Presidência, apesar da oposição do presidente, que preferia como sucessor Danilo Astori, ex-ministro da Economia.

Durante a luta interna pela candidatura da esquerda, a popularidade de Mujica se impôs e Astori terminou integrando a chapa como candidato a vice-presidente.

Em todo esse tempo ele nunca deixou de cuidar de sua humilde fazenda nos arredores de Montevidéu, onde cultiva flores e hortaliças e onde pensa continuar vivendo quando assumir a Presidência, fiel a seu estilo franco, direto e simples, uma de suas maiores características.

Até há poucas semanas era impossível ver o candidato vestido de terno, uma roupa que só resolveu usar após pressões de seus assessores de imagem em um esforço para atrair o eleitorado moderado. Mesmo assim, se nega a usar gravata e continua preferindo sua vestimenta habitual de "guayabera", boina e sandálias com as quais ia ao Parlamento.

Fonte: Uol.com.br

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Esquerda independente ou da escola Bolivariana?

Enviado por em 30/11/2009 às 02:25 PM
Cesar

Só falta ingressar na escolinha do prof. Chávez, a escola Bolivariana. O prof. Chávez  oferece brindes, treinamento de democracia plebiscitária.

Interessante a democracia plebiscitária  utiliza a massa como cavalo de Tróia para chegar ao poder.

Esse tipo de democracia equivale a um mero procedimento de legitimação de lideranças pelo voto e por aí se limita sua abrangência. Uma vez eleitos, os líderes políticos, como possuidores de cheques em branco, poderiam conduzir, livremente, suas ações, sem quaisquer vinculações com as aspirações dos seus eleitores. (Weber)

A esquerda descobriu muito tarde é muito mais fácil assumir o poder pela democracia do que pelas armas. A democracia é mero procedimento, um meio de luta pelo poder.

Tenha um líder carismático é  a pré-condição  para esse tipo de democracia  e depois perpetua no poder.  Nesse tipo de democracia as pessoas escolhem um líder em que confiam; então o líder escolhido fala: ‘Agora calem-se e façam o que eu disser. O   prof. Chávez tem esse tipo de know how.

Existe até um consultor nesse tipo de democracia plebiscitária, especialista  em mudanças constitucionais, o espanhol  de Rubén Martínez Dalmau, assessorou os países Venezuela, Equador e Bolívia.

Segundo Dalmau, uma Constituição latino-americana se baseia na participação popular, que lhe dá legitimidade; que não tenha medo de regular as principais funções do Estado: a melhor distribuição da riqueza, a busca por igualdade de oportunidades, a integração das classes marginalizadas. Veja o caso de Cuba, falta tudo, gêneros de primeira necessidade, etc. Se manteve muito tempo graças a antiga Rússia. Agora está descobrindo que todo mundo tem de trabalhar para ter benefícios.

Vamos aguardar se o prof. Chávez  irá cortejar o novo presidente do Uruguai  com toda pompa e circunstância. A escolinha do prof. Chávez está precisando de alunos?

César


Viva a América Bolivariana

Enviado por em 30/11/2009 às 04:27 PM
Celo

A tendência dos governos populares (diferente de populistas) entusiasma e renova as esperanças de justiça social, castigadas por algumas décadas de governos neo-liberais começados pelos ditadores manipulados pelos gringos nos idos dos anos 60 e 70 (começou na Guatemala nos anos 50, a primeira experiência de titerismo). O discurso desqualificador (como do comentário acima) aparece por todos os cantos e mesmo gente com formação acadêmica extensiva, se não tem experiência de campo, vivência real no meio do povo, na pobreza, na exclusão, fala, fala, fala e não sabe o que diz. São meros reprodutores do aparelho midiático, pautados pelo que vêem teletransmitido, editado, selecionado; são vozes individuais de certo modo ingênuas que ajudam a ecoar a grande caixa de ressonância hegemônica de poderes oligárquicos históricos que oprimem não apenas através dos aparelhos de estado (jurídico, policial), mas também do chamado 4o. poder: a manipulação simbólica dos meios de comunicação.

Por isso é fundamental ter espaços como este para provocar o debate. No entanto, o acordo tácito provocado pela repetição de conceitos e preconceitos é tão forte que pode descaracterizar até os meios alternativos, depende de quem se aproprie, tornando-os também meros reprodutores, em vez de espaços de exercício de cidadania.

Como é que se pode sequer comparar o panorama político latino-americano atual, de uma relativa democracia, em que ao menos há eleições livres (um dos fundamentos da democracia, mas que por si só não a garante) ao panorama das ditaduras militares? Como é que o colega quer que alguém se eleja durante a repressão militar? Veja o caso de Honduras, veja toda a história recente de nosso continente...

Que o Uruguai seja bem-vindo a dar continuidade a seu projeto de governo popular, como ou sem o apoio de chavez, unido aos que guardam um olhar alternativo ao do grande capital monopolizador e oligarca.

Infelizmente Lula não teve a fibra necessária para implementar o que acredita e pegou o caminho do meio... meio esquerda, meio direita, o rabo preso do Oiapoque ao Chuí. Talvez o mais fácil, talvez o único possível, mas o fato é que nem esquerda nem direita estão satisfeitas. Entretanto, mesmo com a imprensa antagonizando massivamente, o povo parece aprovar. Quem sabe qual será o veredito da história...

PS: Caro César, o que vc lê? Marx e Weber temperado com Veja e Globo? Cara, se for isso, minha opinião: não é compatível! Tem que buscar pluralidade de pontos de vista. Não entendo como vc pode escrever artigos e comentários tão inteligentemente articulados porém tão recheados de estereótipos midiáticos e ressentimento anti-esquerda. A esquerda não morde, assim como a direita. A diferença fundamental entre ambas, a meu ver, é que a esquerda, em geral, é menos cega e busca o social em vez do individual. A esquerda entende a direita, o contrário não é verdade. 


Horizonte perdido, socialismo

Enviado por em 30/11/2009 às 07:30 PM
Cesar

Que justiça social tem a  America central desde que os ditadores da direita sumiram e entraram a esquerda? Continua mesma coisa. Não houve melhorias. Veja o ícone da esquerda, Cuba,  desde que a mãe Russa cortou a mesada  o país está enfrentando sérias  dificuldades. Se você acha que a justiça social cubana é a melhor para a América Latina,  pois nivela por baixa toda sociedade, se você não usa sapato usa sandália,  ½ kg de frango para passar o mês uma família cubana ou  famosa libreta cubana, cuja cesta básica dá apenas para 15 dias (aqui no Brasil é para um mês). Outro dia fui ao supermercado procurei  uma cartela de frango que pesasse 500  gramas e encontrei coxinha com asa. Contei quantas vem na cartela, 9 coxinhas. Imaginamos que discutimos a justiça social num boteco  em São Paulo, com chopp e uma porção de frango frito (vem com mais de 9 coxinhas) ou em Santiago com frutos do mar, empanada, vinho ou chopp, etc. A esquerda é assim. Preocupa-se com a justiça social olhando a brisa do mar ou olhando a cordilheira dos Andes num restaurante panorâmico.

Os cubanos fazem milagres, por causa disso, a maioria é magro, com exceção do Fidel, esse sim é um bon vivant, vinho espanhol, presunto italiano, etc.

Se fizermos uma resenha desde a antiguidade dos países ou povos que deixaram algo de bom para humanidade,  império romano, conhecimento, tecnologia, cultura, Império chinês idem, império japonês, os árabes (idem)  e os bárbaros da época quase  nada.  

E massa popular mais recente deixou quase nada (Alemanha nazista, revolução cultural chinesa,  revolução russas,  Khmer vermelho, etc).

Não leio Veja ou algum tipo de revista. Quando há algum problema leio na fonte original. No caso de Honduras, os principais jornais da capital. Interessante o caso de Honduras, os comentários dos leitores criticando o ex-presidente, apelidando como títere do prof. Chávez. A esquerda mudou de rótulo porque o mundo obriga, mas o pensamento continua petrificado ou fossilizado, mas o corpo é alimentado pelos produtos americanos ou asiáticos. O prof. Chávez tem de tomar cuidado porque daqui a pouco os venezuelanos estão tomando banho com petróleo, a água está racionada e os produtos de primeira necessidade estão faltando. Em Pernambuco existe uma fase entre  os trabalhadores, quando você dá muita comida para o jegue, ele quer ficar apenas na sombra. O socialismo é assim, quer distribuir o que não tem e o que tem é para os poucos ou os escolhidos.

César   


Sugestão de Leitura

Enviado por em 01/12/2009 às 12:43 PM
Celo

César, sua crítica aguda e retórica sarcástica são bastante divertidos de ler, infelizmente não concordo com seus exemplos e panos de fundo. Mas para isso estamos aqui.

Sugiro que, caso tenha o ímpeto democrático que aparenta em seu discurso, quero dizer, a intenção de promover a democracia debatendo neste espaço e manifestando pontos de vista alternativos, leia um dos seguintes autores: Bernardo Kucinsky ou Denis de Moraes (brasileiros) ou Dominique Wolton (francês).

Digo isso porque não adianta eu, Marcelo, tentar te convencer que você está bebendo em fontes viciadas: principais meios de comunicação. Ainda mais no caso de Honduras, em que os meios críticos foram fechados (até a globo tomou censura) pelos golpistas ou da própria Venezuela, em que o antagonismo entre os meios governistas e os meios opositores é mais evidente e torna a comunicação uma queda de braço ideológica afastando-os muito de seu papel, que seria algo como uma fonte de informação que relega ao leitor/espectador a posição de crítico, inteligente, detentor de opinião e juízo próprio. Pelo contrário, vem tudo impregnado de propaganda, de um ou outro lado em uma guerra simbólica pela simpatia do espectador/leitor. 

No Brasil acontece a mesma coisa, é só dar uma folheada no livro do Kucinsky "Síndrome da Antena Parabólica" que estuda casos de manipulação midiática com fins políticos. Ou ver o famoso documentário da BBC inglesa (acha-se fácil pela internet) "Beyond Citizen Kane", sobre o nascimento da rede Globo e a construção de seu império. Ou, se quiser expandir fronteiras, procure no youtube "El Diario de Augustín", sobre o maior jornal chileno, oligarca, com mais de 100 anos de existencia, o único que, curiosamente, não sofreu retaliações nem foi fechado pela ditadura do Pinochet.

Exemplos não faltam, nos faltam instrumentos e método para reconhecer estratégias, ideologias, pintadas falsamente de informação jornalística neutra.


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